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Entrevista a Aléxis Marcos

Hoje sabemos mais sobre a experiência do Aléxis, meu padrinho na Universidade, em Inglaterra. O Aléxis atualmente trabalha em farmácia hospitalar e oferece-nos uma perspetiva muito interessante sobre o trabalho de um farmacêutico num hospital em Inglaterra. * Quando te mudaste para o UK? Em Janeiro de 2014 * O que te fez escolher a cidade onde estás? Inicialmente comecei por ir para Ipswich porque foi aí que surgiu a primeira oportunidade para começar a trabalhar em farmácia comunitária (foi tudo acordado com o meu empregador a partir de Portugal pois não queria sair do país sem ter certezas a nível de contrato de trabalho) e também por ser relativamente perto de Londres onde a minha namorada estava a viver na altura. Um ano depois acabei por ir trabalhar para Bury St. Edmunds onde ainda estou neste momento. Foi uma boa oportunidade para começar carreira em farmácia hospitalar. Podemos dizer que a cidade me escolheu a mim, e não eu a escolher a cidade. * Quais foram as principa...

O salário

Vamos falar do que muitos colegas querem verdadeiramente saber: quanto é que um farmacêutico recebe a trabalhar no Reino Unido. No Reino Unido fala-se de salário em valor anual, pré-impostos; também é comum negociar o salário em valor à hora, novamente antes dos impostos. O valor que um farmacêutico recebe depende da zona geográfica onde trabalha (por exemplo, em Londres os salários são maiores para compensar o custo de vida na cidade), da empresa, do posto, dos anos de experiência; o salário de um farmacêutico hospitalar também é diferente de um farmacêutico comunitário, ou de um farmacêutico que trabalhe em prisão, entre outros. Hoje falarei do valor médio salarial de um farmacêutico comunitário. Estas são as distribuições salariais médias para as diferentes posições em farmácia: » Director of Pharmacy: £73,333/ano » Junior Pharmacist: £31,449/ano » Pharmacist: £34,816 - £45,709/ano (consoante os anos de experiência) Em Londres, o salário em média é de £39,049/ano. Passand...

Locum versus Relief

Um dos aspetos que ainda não referi sobre ser farmacêutica em Inglaterra está relacionado com o tipo de contratação do farmacêutico. Um farmacêutico pode estar empregado a tempo inteiro por uma farmácia (seja a farmácia independente ou pertencente a um grupo de farmácias) ou pode ser trabalhador por conta própria. Eu sempre fui trabalhadora por conta de outrém, ou seja, sempre pertenci a uma entidade patronal; durante dois anos trabalhei para a Boots e atualmente trabalho para a Well Pharmacy. Para a Boots comecei como Relief Pharmacist, e depois passei a ser Store-Based Pharmacist. Atualmente para a Well sou Relief Pharmacist Manager. O que significa ser Relief? Significa que vou para as farmácias dentro do grupo que precisam de cobertura de turnos. Não estou fixa numa só farmácia e não sou 'quem manda' nos processos habituais daquela farmácia onde estou a trabalhar. O meu horário varia de semana a semana, e lido com diversas equipas. No dia em que estou na farmácia, so...

O sprint final

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Ser farmacêutica em Inglaterra também significa correr para cumprir prazos e objetivos. Estas últimas semanas têm sido marcadas por cumprir prazos para o NHS e para a minha empresa. A minha empresa tem vindo a assinar contratos com diversas care homes locais e essas care homes precisam de treino e introdução à empresa; eu tenho estado nas últimas semanas a desenvolver um pack de training que irei providenciar em Abril às novas care homes. Tem informação acerca dos nossos processos para lhes providenciar medicação, mas também tem informação clínica e legal. O NHS tem um processo imposto para pagamentos às farmácias denominado "Quality Payments", o que significa que as farmácias têm de preencher uma série de requisitos para serem elegíveis a receber esse pagamento extra. O prazo deste ano foi até 1 de Março. Todas as equipas e superiores imediatos estiveram a focar-se neste ponto fucral da cronologia anual. Outro ponto deveras importante para as farmácias são os MURs (...

Entrevista a André Lage

A entrevista de hoje é a André Lage. O André está em Inglaterra há praticamente dez anos. O blog dele também me foi bastante útil. Aproveitem, porque é uma leitura bastante interessante e cheia de informação valiosa. * Quando te mudaste para o UK? Mudei me com a Vanessa (minha namorada e também farmacêutica) em Setembro de 2009. Para aquilo que, inicialmente, seria uma aventura de dois anos por terras inglesas. * O que te fez escolher a cidade onde estás? Quando em Maio de 2009 comecei a pensar em vir para Inglaterra não conhecia muito do país. Falei com uma empresa de recursos humanos europeia, que estava a recrutar farmacêuticos para a Lloydspharmacy e, após os primeiros contactos, eles enviaram me uma lista de doze possíveis locais em que a Lloyds pretendia empregar farmacêuticos europeus. Disseram me para escolher o que quisesse, mas pediram-me para me manter fiel a essa escolha até ao fim. Dos doze locais eu exclui de imediato a Ilha de Jersey e a Ilha de Man porque ache...

Entrevista a Joana Pereira

Eu e a Joana fomos brevemente colegas na Well Pharmacy na mesma região do país, Norfolk. A Joana aceitou graciosamente responder às minhas perguntas e partilhar um pouco da sua história. Podem encontrar a Joana no  LinkedIn . * Quando te mudaste para o UK? Mudei-me para o Reino Unido em fins de Novembro de 2013, poucos meses após terminar o Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas na Universidade de Coimbra. * O que te fez escolher a cidade onde estás? Vivi durante vários anos em Norfolk, simplesmente porque era onde a minha irmã, cunhado e sobrinhos viviam quando me mudei para o Reino Unido. Acabei por ficar por lá até recentemente, quando me mudei para Cambridgeshire por motivos profissionais. * Alguma vez ponderaste outro país que não um pertencente ao UK? Sempre quis começar a minha carreira fora de Portugal, num país que tivesse o inglês como idioma já que é a única outra língua que domino. Por ser relativamente perto de Portugal, sempre tive em mente o Reino Unid...

IELTS

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Um dos requerimentos legais para registo no Reino Unido como farmacêutico é a demonstração de competência linguística, ou seja, é necessário ter um comprovativo que o farmacêutico tem o conhecimento necessário da língua inglesa para uma prática profissional segura e efetiva. Atualmente, o GPhC aceita três tipos de evidência; a evidência tem de ter sido obtida há menos de dois anos no momento do registo no GPhC: IELTS nível académico com um resultado mínimo de 7 Qualificação de um curso superior em farmácia num país cuja língua predominante é inglês Prática profissional de pelo menos dois num país cuja língua predominante é inglês Para mais informações sobre a demonstração de competência linguística, podem visitar  GPhC Guidance on evidence of English language skills . O que é o IELTS? O International English Language Testing System (IELTS) é um teste que avalia a competência do candidato em quatro categorias: compreensão oral (Listening), compreensão escrita (Rea...

O meu dia a dia numa care home

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Durante um ano fui a farmacêutica responsável por uma farmácia que não só dispensava medicação para o público geral, mas como também para uma care home . Uma care home é uma pequena instituição que cuida de pessoas que já não podem cuidar de si próprias; um conceito semelhante a um lar ou uma casa de cuidados paliativos, que cuida de pessoas adultas de todas as idades. As care homes podem ser residential ou nursing , ou as duas. A grande diferença é que as nursing homes , para além de providenciarem a mesma assistência que as residential homes , têm equipamento mais especializado para lidar com doentes que necessitem de atenção contínua devido à sua condição médica, e o staff consiste em enfermeiros 24 sobre 24 horas. Para mais informação, basta clicar aqui . O meu dia a dia consistia numa rotina muito bem organizada de forma a que nada (ou o menos possível) falhasse. Manhã Supervisão dos utentes de metadona - tinha cerca de cinco utentes que vinham regularmente entre as 8h45 e...

End of life medication

Em Inglaterra, quando é clinicamente determinado que o utente está a entrar nos últimos dias de vida, há um certo tipo de medicação que é prescrito de forma a aliviar os sintomas do utente, assim como para providenciar algum alívio (psicológico) aos familiares. Este tipo de medicação é chamada de "End of life medication" e é prescrita para alivar sintomas de dor, falta de ar, náusea e vómitos, e agitação. A maior parte das receitas para esta medicação é passada de forma antecipatória, isto é, sabe-se que o estado de saúde do utente não vai melhorar, em breve vai entrar nos últimos dias e, apesar de ainda não ter sintomas, a medicação é prescrita e aviada de forma a estar com o utente em caso de necessidade, e é administrada por profissionais de saúde que vão estar com o utente (mesmo em casa). O grande problema com este tipo de medicação é que, apesar de ser prescrita para aliviar sintomas que causam desconforto severo ao utente, os efeitos adversos podem ser insuportáveis...

Clinical checks

Os clinical checks (CC) , também chamados de pharmaceutical assessment , são um passo obrigatório e deveras importante no processo de dispensa de receitas médicas. São levados bastante a sério, e já houve casos de farmacêuticos levados a tribunal por não terem feito um correto clinical check. O CC pode ser efetuado antes da medicação ser dispensada, ou após toda a medicação ter sido reunida e processada com etiquetas. O farmacêutico vai então determinar se o medicamento, assim com quantidade e posologia são adequados para o utente. O utente tem de receber toda a informação necessária para o uso correto do medicamento, e qualquer intervenção que seja efetuada (contactos com o médico, correções de posologia) têm de ficar registados no PMR do utente.  Os CC envolvem a identificação de problemas farmacoterapêuticos através da avaliação de toda a informação relevante, incluindo características do utente (idade, peso), condições médicas, medicação habitual, e possíveis resulta...

Responsible Pharmacist

Em Inglaterra (Reino Unido em geral, e na República da Irlanda também é assim) tem de existir um farmacêutico sempre presente nas instalações da farmácia e tem de estar registado como o farmacêutico responsável (Responsible Pharmacist). Até pode estar mais do que um farmacêutico a trabalhar por turno, mas um tem de ser obrigatoriamente o responsável. Sem isto, sem haver um farmacêutico, a farmácia nem abre portas. O papel do Responsible Pharmacist (RP) é de assegurar o funcionamento correto e seguro de todas as atividades que decorrem na farmácia, desde aconselhamento à dispensa de medicação. O nome do RP, assim como o seu número de registo no GPhC, tem de estar num local visível ao público e atualizado com o nome do RP desse dia. O RP não se pode ausentar das instalações da farmácia, para não quebrar o contrato das farmácias com o NHS e também porque na ausência do RP não é possível vender qualquer medicamento OTC ou de venda geral, entregar medicação que esteja pronta ao utente, ...

Carreira do farmacêutico comunitário

Dentro da farmácia comunitária no Reino Unido existem vários caminhos que o farmacêutico pode seguir. Estas são as principais, de forma hierárquica (topo para iniciantes) » Superintendent Pharmacist - Responsável por toda uma cadeia de farmácias » Pharmacy Manager - Director Técnico e gestor da farmácia » Store-based Pharmacist - Farmacêutico responsável pela farmácia onde trabalha regularmente; não tem de ser necessariamente manager daquela farmácia » Support Pharmacist - Segundo farmacêutico numa farmácia em que outro farmacêutico é Manager » Relief/Locum Pharmacist - Segundo farmacêutico que trabalha em diferentes farmácias do mesmo grupo, ou de outros grupos de farmácias; normalmente requerem que o farmacêutico tenha viatura própria » Pre-registration Pharmacist - Farmacêutico 'estagiário' que ainda não completou a inscrição no GPhC e está num período de treino supervisionado por um tutor farmacêutico Dentro de cada grupo de farmácias, os títulos e a hier...

Como ser farmacêutico no UK

Para se poder ser farmacêutico no Reino Unido é necessário estar inscrito no GPhC. O GPhC, General Pharmaceutical Society, é a entidade reguladora dos farmacêuticos, técnicos de farmácia e das premisas das farmácias. É uma espécie de mistura da Ordem dos Farmacêuticos e do INFARMED; aplica as leis nas farmácias e assegura os direitos e deveres dos farmacêuticos. O GPhC tem standards para tudo: farmácias, técnicos de farmácia e farmacêuticos. É esperado que todos cumpram esses standards para um bom desempenho profissional e para segurança do doente.  Quem tira o curso de Ciências Farmacêuticos no Reino Unido tem de fazer um ano de 'estágio', o pre-registration year; é um ano em que o estudante acabou o estudo universitário, mas tem de ter vivência no mundo profissional antes de se poder inscrever no GPhC para ser farmacêutico e para poder exercer. Durante o pre-reg, o 'estagiário' que escolheu farmácia comunitária passa o ano com um tutor em que aprende o dia a ...